terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Crônica: OS OUTROS





Ela acordou cedo hoje, caminhou pelo corredor ainda escuro, pois o sol ainda não havia surgiu no horizonte, ligou o radio e por coincidência estava tocando aquela música que fazia o maior sucesso na novela das 8, passaram mais alguns minutos e acabou desistindo de ouvir aquela melodia pois já não se sentia tão tranqüila, pensou que essa era a hora de tomar suas próprias decisões na vida. Isso porque, desde quando era bem pequena sua mãe lhe falava para obedecer aos outros, e ela perguntava – mamãe, mais quem são esses outros que a senhora fala? Sua mãe respondia – os meios de comunicação, tais como a TV, o radio, os jornais e revistas...sim, esses e somente esses são a quem devemos acreditar e obedecer, pois sabem o que melhor para nós. A partir daí, todos aqueles que segundo sua mãe sabiam o que era melhor para ela, tornaram-se seus referenciais de vida. O que iria comer, vestir, sonhar, tudo passou a ser mediado pelos meios de comunicação.
Infelizmente esse ensinamento tem causado grandes problemas para ela, que nestes últimos anos já se esqueceu quantas vezes trocou de visual por causa das modinhas lançadas pela TV. Foi ruiva, loira, morena e também fez inúmeras plásticas para ficar magra como as modelos que vê nas capas das revistas, a única coisa que ainda não fez foi raspar a cabeça, mais se porventura no noticiário fosse afirmado que fazê-lo era a tendência da estação, ela o faria certamente.
Nos jornais ela viu uma pesquisa afirmando que se uma pessoa comesse 6 vezes por dia, bebesse 3 litros d’água e corresse 2 quilômetros teria sua vida mudada em apenas 6 meses, passados os 6 meses e sem os resultados profetizados pela pesquisa, como por coincidência, sua frustração foi abalada com uma nova promessa, devido o surgimento de outra pesquisa criticando a anterior, a qual dizia que ao invés de fazer tudo isso para ter a qualidade de vida tão sonhada, a pessoa deveria comer somente frutas e vegetais, para ela isso foi a gota d’água, não pela fato ser apenas mais uma das inúmeras pesquisas, afirmações e influencias que se tornaram parte de sua vida, mais neste dia experimentou algo que nunca tinha sentido anteriormente, sentiu-se usada.
Depois disso, aproximou-se da janela do seu apartamento e olhou para o horizonte, o sol já estava quase surgindo, e o que passou pelos seus pensamentos foi – esta é a primeira vez em muitos anos que sinto uma imensa vontade de ser livre para viver a minha vida sem as influências, os rótulos, os modelos a serem seguidos, sem a felicidade comprada a prestação. Queria sair daquele lugar, ir para onde pudesse ter contato com o ambiente de menor atuação humana, então pensou consigo – vou para o campo, quero ver o verde, sentir a brisa suave tocando meu rosto.
Como que acordando de um sonho profundo, ela agora podia contemplar a beleza radiante do sol surgindo no horizonte azul, mesmo sabendo que esses outros ainda estavam por aí a influenciá-la de alguma forma e que havia tantos como ela que estavam sendo manipulados pelo sistema, continuou seguindo pela estrada em direção ao desconhecido, sim, em direção a si mesma, pois tudo o que conhecia como parte de sua personalidade, tinha sido emprestado dos outros.

3 comentários:

Daniela Eguez disse...

Vou confessar que nao li tudo. Maso que li me agradou muito.

Unknown disse...

Belo texto parceiro. Uma dica: da próxima tenta dar umas pausas entre um pedaço e outro, encaixando uma imagem uma parágrafo para ser melhor visualizado e lido.
Inté...

Diego! disse...

Legal o texto...falta como disseram os colegas ai, uma melhor formatação do texto!


http://ligeiramenteblase.blogspot.com/